Sobre esta Campanha
25 anos convivendo com as consequências de uma cirurgia refrativa
Em janeiro de 2001, aos 22 anos, entrei em uma sala de cirurgia acreditando que sairia enxergando melhor. Saí de lá sem imaginar que passaria os 25 anos seguintes convivendo com as consequências daquela decisão.
Desde aquele dia, cada luz da noite ganhou um halo ao redor. A lua deixou de ser uma e passou a aparecer cercada por quatro imagens fantasmas. As estrelas perderam o contorno. Os faróis dos carros na estrada viraram feixes de luz que atravessam meu campo de visão de um lado ao outro. Tentei voltar a dirigir à noite em estradas por duas ou três vezes, mas percebi que colocava minha vida e a de outras pessoas em risco — e nunca mais consegui dirigir nessas condições. De dia, é a luz forte demais que incomoda. À noite, é o escuro distorcido que assusta. Com o passar dos anos, meus olhos também começaram a ressecar, a arder como se tivessem areia, a ficar pesados e difíceis até de piscar.
Mas o que essa cirurgia tirou de mim foi muito além da visão.
Foram 25 anos aprendendo a viver dentro de limites que eu não escolhi. Fechei-me em casa, evitei sair e, sem perceber, fui me afastando das pessoas. A vida antissocial não foi uma escolha — foi uma consequência. Vieram a depressão, a insegurança, o medo e a baixa autoestima. Os amigos foram ficando poucos. Estudar, trabalhar e simplesmente seguir em frente passaram a exigir um esforço diário que a maioria das pessoas nunca vai entender.
Depois de muitos anos sem esperança, de muitas pesquisas e consultas frustrantes, finalmente encontrei um especialista de renome nacional que me deu respostas que eu esperava havia mais de duas décadas. Os exames confirmaram uma aberração óptica de alta ordem, agravada por uma disfunção na lubrificação dos olhos que surgiu após a cirurgia.
A boa notícia é que a tecnologia evoluiu. Depois de analisar cuidadosamente o meu caso, o especialista concluiu que, como minha córnea já foi operada e está fragilizada, o tratamento mais indicado não é um novo laser, mas o implante de uma lente intraocular fácica — um pequeno dispositivo colocado dentro do olho, sem remover tecido da córnea, que pode devolver uma qualidade de visão que eu não tenho há 25 anos, com muito mais segurança para o meu caso específico.
A má notícia é o custo. Somente a lente e a cirurgia para os dois olhos podem chegar a R$ 60.000. Além disso, ainda há consultas especializadas, exames de alta precisão, tratamento do olho seco, viagem, hospedagem e outras despesas médicas — um valor que, sozinho, eu não tenho condições de arcar.
Não estou buscando perfeição. Estou buscando recuperar a qualidade de vida que essa cirurgia me tirou. Quero voltar a dirigir à noite sem medo. Quero olhar para o céu e enxergar apenas uma lua. Quero recuperar a confiança para reconstruir a vida que ficou interrompida por tantos anos.
Cada contribuição me aproxima da oportunidade de recuperar uma parte da vida que perdi ao longo desses 25 anos.
Obrigado, de coração, por dedicar alguns minutos para conhecer minha história.
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